0º C

00 : 40

Tumultos de Julho: Relatório da UNITA aponta número de vítimas três vezes superior ao oficial

A UNITA elevou para 90 o número de mortos nos tumultos de Julho de 2025 e acusou as forças de defesa e segurança de protagonizarem “execuções sumárias”, exigindo uma investigação independente e imparcial aos acontecimentos que abalaram o país.

Registro autoral da fotografia

Há 3 horas
2 minutos de leitura

Os dados constam de um relatório de 51 páginas, intitulado “As Mortes e Violações de Direitos Humanos na Revolta de Julho de 2025”, apresentado em conferência de imprensa pelo “vice-primeiro-ministro” do governo sombra do partido, Joaquim Nafoia. Segundo o documento, as mortes ocorreram entre 28 e 30 de Julho, durante a paralisação dos taxistas que degenerou em confrontos violentos em várias províncias.

De acordo com a UNITA, Luanda registou 47 mortos, Malanje 20, Lunda Norte nove, Huambo oito, Cuando-Cubango cinco e Huíla um. O partido sustenta que houve uso desproporcional da força e enquadra os acontecimentos num alegado padrão de repressão estatal ao longo da última década e meia.

A paralisação dos táxis surgiu em protesto contra o aumento dos combustíveis e das tarifas dos transportes públicos. A polícia reportou, na altura, 30 mortos, 277 feridos e mais de 1.500 detenções, descrevendo episódios de pilhagem e violência. A oposição contesta esses números e fala em subavaliação da dimensão real das vítimas.

No relatório, a UNITA defende a criação de uma comissão parlamentar de inquérito, reparações às famílias afectadas, revisão das práticas de policiamento e reforço da independência judicial. Joaquim Nafoia afirmou ainda que, desde 2017, mais de 360 pessoas terão morrido em acções atribuídas às forças da ordem, números que considera documentados.

O “primeiro-ministro” do governo sombra, Raul Tati, dirigiu críticas directas ao Presidente João Lourenço, a quem atribui responsabilidade política pelos acontecimentos. O partido apela à comunidade internacional para acompanhar de perto o caso, advertindo que, sem reformas profundas, novos episódios de violência poderão repetir-se.