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Conflitos com M23: Governo do RDCongo aceita Trégua Proposta por Angola

A República Democrática do Congo aceitou o cessar-fogo com o grupo rebelde M23, com início marcado para 18 de Fevereiro, numa decisão que pode redefinir o rumo de um dos conflitos mais explosivos da região dos Grandes Lagos. A proposta partiu de Angola e surge num momento de tensão crescente no leste congolês.

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Num comunicado divulgado esta sexta-feira, a Presidência congolesa confirmou que acolhe a iniciativa do Presidente angolano, João Lourenço, “num espírito de responsabilidade e conciliação”, sublinhando a intenção de alcançar uma solução política duradoura. Kinshasa enquadra a decisão no mecanismo de monitorização do cessar-fogo assinado a 14 de Outubro de 2025, em Doha, que prevê um sistema rigoroso de verificação e controlo de incidentes no terreno.

O acordo impõe um congelamento imediato das posições militares, a suspensão de reforços e reabastecimentos ofensivos e a proibição de qualquer tentativa de alterar o statu quo. O Governo congolês exige ainda o fim de apoios externos a grupos armados e a protecção efectiva das populações civis, alertando que qualquer violação poderá comprometer seriamente a credibilidade do processo.

Apesar do anúncio, o silêncio do M23 mantém o clima de incerteza. O movimento rebelde ainda não reagiu formalmente à proposta angolana, apresentada na quarta-feira, o que deixa em aberto a real eficácia da trégua. Recorde-se que o grupo assumiu, em 2025, o controlo de vastas áreas das províncias de Kivu Norte e Kivu Sul, incluindo as capitais Goma e Bukavu, numa ofensiva que reacendeu as tensões entre Kinshasa e Kigali.

Em Dezembro do mesmo ano, os Presidentes Félix Tshisekedi e Paul Kagame assinaram, em Washington, sob mediação norte-americana, um acordo que previa a retirada de tropas ruandesas e o fim do apoio às milícias. Contudo, os confrontos persistiram e as queixas de avanços do M23 multiplicaram-se, lançando dúvidas sobre a eficácia dos compromissos assumidos.

Angola, que desde 2022 lidera os esforços de mediação enquanto mandatária da União Africana para o dossier RDCongo-Ruanda, vê agora colocada à prova a sua influência diplomática. Entre avanços militares e negociações frágeis, o cessar-fogo de 18 de Fevereiro pode representar um ponto de viragem — ou apenas mais um capítulo numa guerra que insiste em desafiar a paz.