“Arrumem a casa”: Líder do FMI deixa recado para Angola no fim da visita oficial
A directora-geral do Fundo Monetário Internacional lançou um aviso directo aos países africanos, com especial enfoque em Angola: “ponham a casa em ordem”. A recomendação de Kristalina Georgieva marcou o encerramento da sua visita oficial a Luanda, pouco antes de seguir para a cimeira do G20, na África do Sul.

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Em entrevista exclusiva à Lusa, a líder do FMI defendeu que o continente precisa de reforçar a transparência, consolidar instituições sólidas e adoptar políticas económicas capazes de inspirar confiança aos investidores. Num mundo marcado por tensões geopolíticas, avanços tecnológicos e choques climáticos, Georgieva considera “crítico” que os países africanos apresentem maior robustez institucional e fiscal.
A responsável alertou que aumentar receitas, alargar a base tributária e garantir uma despesa pública eficiente são condições essenciais para financiar educação, fortalecer o sector privado e sustentar o crescimento económico. Recordou também que a região resistiu melhor do que o esperado aos sucessivos choques globais — pandemia, inflação, guerra na Ucrânia e subida das taxas de juro e destacou o dinamismo económico da África subsaariana, cuja taxa de crescimento supera as projecções mundiais.
Para Georgieva, dois factores explicam essa resiliência: a retirada gradual dos governos de áreas onde não devem intervir e a ascensão de um sector privado “mais ágil e adaptável”; e, em segundo lugar, a adopção de políticas mais sólidas e maior transparência na gestão dos recursos públicos. Ainda assim, advertiu que esta robustez não é garantida no futuro, sobretudo devido ao risco de estagnação no emprego.
O FMI mantém particular preocupação com economias dependentes de matérias-primas, como Angola, vulneráveis às oscilações dos preços internacionais e incapazes de gerar empregos suficientes para uma população jovem em rápido crescimento. Daí o apelo firme à diversificação económica e à criação de condições para atrair investimento sustentável.
A caminho do G20, Georgieva insistiu que o debate global deve contemplar as prioridades africanas, desde o financiamento ao desenvolvimento até à adaptação climática. Sublinhou ainda a necessidade de aliviar o peso da dívida e garantiu que o FMI continuará a apoiar países que precisem de reestruturar compromissos financeiros, citando os casos do Gana, Zâmbia e Angola.
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