ASSÉDIO SEXUAL: Jovens da UNITA e MPLA denunciam teste de sofá em troca de cargos
A PONTUAL traz, através de depoimentos, um dos assuntos deploráveis que pouco se debate nos corredores dos partidos políticos e demais organizações por conta da sua peculiaridade. Jovens mulheres estão a romper o silêncio, revelando que têm sido obrigadas a submeter-se a relações sexuais em troca de ascender a cargos dentro das organizações partidárias, numa prática conhecida como “teste de sofá”.

Registro autoral da fotografia
Depoimentos
Uma ex-militante do MPLA, que pediu anonimato por medo de represálias, relatou: “Foi-me sugerido que, para avançar na minha carreira política, teria de dormir com um alto dirigente do partido. Quando recusei, fui imediatamente afastada de todas as actividades importantes”. Outro testemunho chocante veio de uma jovem da UNITA, que também preferiu não ser identificada: “Recebi convites insistentes para jantares privados com promessas de promoção. Quando recusei, enfrentei uma série de obstáculos inexplicáveis na minha trajetória política”.
Além dos relatos das ex-militantes, há acusações que mencionam nomes específicos de jovens mulheres do MPLA que atualmente ocupam cargos elevados de administradoras, secretárias de Estado e diretoras de empresas públicas, como exemplos de pessoas que, supostamente, ´pagaram com o corpo´ para alcançar as suas posições. Uma que esta redacção vai trazer noutra matéria, nos próximos dias, mencionando os nomes das acusadas.
Impacto
A socióloga Maria Luísa, contactada pela PONTUAL, em poucas palavras, comentou que estas práticas não só violam os direitos das mulheres, como também minam a confiança pública nas instituições políticas, e que é crucial criar mecanismos de denúncia eficazes e oferecer protecção às vítimas.
Legislação e Implicações Judiciais
Embora a legislação angolana contemple punições para o assédio sexual, a implementação enfrenta obstáculos significativos. Clara Mendes, advogada de direitos humanos, explicou: “Muitas vítimas têm medo de denunciar devido à possibilidade de retaliação e à falta de confiança no sistema judicial. É urgente fortalecer a aplicação da lei e garantir que os agressores sejam responsabilizados”.
Movimentos de Apoio
Organizações não-governamentais e movimentos feministas estão a mobilizar-se para prestar apoio às vítimas. “Vamos lançar uma campanha nacional para encorajar as mulheres a denunciar e fornecer assistência legal e psicológica gratuita”, anunciou Clarice Gota, coordenadora de uma ONG de direitos das mulheres.
O escândalo de assédio sexual que envolve o MPLA e a UNITA expõe uma grave falha nas estruturas políticas de Angola, evidenciando a necessidade de reformas profundas para garantir a ética e a igualdade de género. A sociedade angolana exige respostas e ações concretas para pôr fim a estas práticas deploráveis.
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