Cheias em Benguela: ONG acusa Governo de falhas graves e exige gabinete de crise
ONG Omunga acusa o Governo de “negligência” no desastre do rio Cavaco e exige a criação urgente de um gabinete de crise para apurar responsabilidades.

Registro autoral da fotografia
Numa carta aberta dirigida ao Presidente da República, João Lourenço, a organização sustenta que o transbordo do rio, a 12 de Abril, após o rompimento de um dique de protecção, poderia ter sido evitado. Aponta falhas graves na manutenção das infra-estruturas, nomeadamente a ausência de desassoreamento e de medidas preventivas eficazes, que terão agravado os efeitos das chuvas intensas.
Dez dias após a calamidade, o cenário nos centros de acolhimento continua tenso. Segundo a Omunga, as famílias deslocadas enfrentam carências severas, com falta de bens essenciais, condições sanitárias precárias e riscos acrescidos de doenças como a cólera. A organização critica ainda a gestão dos donativos e denuncia falhas na assistência aos verdadeiros sinistrados.
O balanço oficial aponta para pelo menos 19 mortos, vários desaparecidos e milhares de desalojados. Apesar da visita do Chefe de Estado à província, a 15 de Abril, para avaliar os danos e acompanhar o processo de realojamento, a pressão sobre o Executivo aumenta, com exigências de maior transparência e eficácia na resposta.
Além da criação de um gabinete de crise com especialistas e sociedade civil, a ONG defende um novo registo rigoroso das vítimas, indemnizações às famílias afectadas e um plano urgente de requalificação urbana. Em resposta ao impacto económico, o Governo anunciou uma linha de financiamento de 30 mil milhões de kwanzas para apoiar empresas e cidadãos atingidos, numa tentativa de travar as consequências da tragédia.
C/Lusa
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