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Cimeira Itália-África: Presidente angolano defende parcerias estratégicas para tirar África da margem

O Presidente da República, João Lourenço, declarou em Adis Abeba que a cooperação entre África e outros continentes atravessa um momento decisivo e promissor, defendendo que o continente africano tem muito mais a oferecer ao mundo do que matérias-primas em bruto.

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O chefe de Estado falava na segunda edição da Cimeira Itália-África, realizada na capital etíope, à margem da cimeira da União Africana, num encontro que reuniu líderes africanos e italianos com o objectivo de relançar as relações económicas e políticas entre os dois espaços.

No centro das atenções estiveram João Lourenço, enquanto presidente cessante da União Africana, e a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, num debate marcado pelo apelo a um novo paradigma de cooperação, assente na transformação local de recursos e no abandono do modelo centrado apenas na exportação de matérias-primas africanas para a Europa.

O Presidente angolano sublinhou que África dispõe de capacidades estratégicas para contribuir na resposta às crises alimentar e energética globais, desde que sejam criadas condições para a entrada de investimento, tecnologia e conhecimento capazes de impulsionar o desenvolvimento económico sustentável do continente.

João Lourenço apontou ainda desafios estruturais como a electrificação, a industrialização, a mobilidade, a educação e a saúde, alinhados com as prioridades da Agenda 2063, defendendo que o Plano Mattei italiano reflecte, em vários projectos, as aspirações africanas de crescimento e integração económica.

Como exemplo concreto, destacou o PRODECAFÉ, projecto de desenvolvimento da cadeia de valor do café em Angola, financiado por parceiros internacionais e italianos, que considerou um modelo viável de cooperação, capaz de diversificar a economia, fortalecer sectores-chave e aumentar o rendimento dos pequenos produtores.