0º C

22 : 55

Fim das evacuações? Angola prepara primeiros transplantes de órgãos e aponta estreia ainda este ano

Angola pode realizar os primeiros transplantes de órgãos já este ano, um passo considerado histórico no sistema nacional de saúde, após o Governo retomar o dossiê e colocar em marcha o quadro legal indispensável para avançar com segurança.

Registro autoral da fotografia

Há 2 horas
2 minutos de leitura

O anúncio surgiu no final da 1.ª Reunião Ordinária da Comissão para a Política Social do Conselho de Ministros, orientada pela ministra de Estado para a Área Social, Maria do Rosário Bragança, onde a ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, confirmou que a prioridade incide sobre transplantes renais e de medula óssea, por serem os de menor complexidade e para os quais o país já reúne capacidade técnica e humana.

No encontro, o Ministério da Saúde de Angola submeteu dois projectos de Decreto Presidencial: um aprova o regulamento da Lei de Transplante de Células, Tecidos e Órgãos; o outro cria o Serviço de Coordenação e Supervisão da Transplantação (SECOSTRA), com estatuto orgânico próprio, instrumentos considerados decisivos para viabilizar os procedimentos.

Segundo o Executivo, a aprovação destes diplomas permitirá que hospitais públicos e privados com capacidade instalada realizem transplantes de forma regulada, segura e sustentada, reduzindo evacuações médicas para o exterior e oferecendo respostas mais eficazes aos cidadãos, sobretudo face ao aumento de casos de insuficiência renal crónica irreversível.

A ministra da Saúde assegurou que o país já dispõe de infra-estruturas adequadas, destacando o Hospital Geral do Exército General Pedro Maria Tonha, que conta com área de histocompatibilidade, blocos operatórios equipados e tecnologia robótica para transplante renal, além de parcerias internacionais destinadas a garantir formação especializada e protocolos de imunossupressão.

O Governo aposta ainda na sensibilização da população, apelando ao envolvimento da comunicação social para esclarecer sobre doação em vida e pós-morte, numa altura em que cresce o interesse de famílias angolanas, sobretudo em transplantes renais entre parentes, sinal de que o país se prepara para virar uma página decisiva na saúde pública.