João Lourenço exalta avanços na saúde e educação: “Hoje Angola é um país mais saudável e mais instruído”
O Presidente da República, João Lourenço, traçou esta terça-feira, na Assembleia Nacional, um retrato impressionante da transformação de Angola desde a independência até à actualidade, sublinhando que o país deixou para trás tempos de escassez extrema para alcançar um sistema nacional de saúde e educação “mais forte e mais abrangente do que nunca”.

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Ao discursar sobre o Estado da Nação, o Chefe de Estado evocou o passado com números que chocam: no início da independência, Angola dispunha de apenas 19 médicos, 320 unidades sanitárias e uma esperança média de vida de 41 anos. “A mortalidade infantil chegava aos 134 por mil nascidos vivos e a dos menores de cinco anos atingia 200 por mil”, lembrou.
Apesar da devastação provocada pela guerra, que deixou 80 por cento da rede sanitária destruída, João Lourenço frisou que o país resistiu “ao colapso que muitos prognosticavam”, com o apoio vital de parceiros como a União Soviética e Cuba, decisivos na formação de quadros e na assistência médica à população.
Com a paz alcançada em 2002, o cenário mudou radicalmente. Segundo o Presidente, Angola conta hoje com 3.355 unidades de saúde e 44.222 camas hospitalares, fruto de um esforço contínuo de construção, reabilitação e apetrechamento das infra-estruturas sanitárias. “Mesmo em tempos de aperto financeiro, a saúde manteve-se como prioridade nacional”, assegurou.
Nos últimos sete anos, o país admitiu 46.649 novos profissionais de saúde, o que representa um crescimento de quase 47 por cento da força de trabalho no sector. Está ainda em curso a formação especializada de 38 mil técnicos até 2027.
João Lourenço destacou igualmente a redução do número de pacientes enviados para o exterior e o aumento exponencial das juntas médicas internas, que passaram de apenas 13 em 2017 para 694 em 2024.
O impacto é visível: a mortalidade infantil caiu de 44 para 32 por mil nascidos vivos, a dos menores de cinco anos de 68 para 52, e a mortalidade materna de 239 para 170 por dez mil. “Hoje o sistema nacional de saúde é inequivocamente mais forte”, afirmou o Chefe de Estado, acrescentando que Angola respondeu com eficácia à pandemia da covid-19, às epidemias de malária, febre-amarela e ao surto de cólera registado em 2024. A esperança média de vida subiu para 64 anos mais 23 do que no final do período colonial.
No domínio da educação, João Lourenço foi igualmente enfático: “O sector merece total empenho, pois é decisivo para o futuro da Nação.”
Recordou que Angola herdou um sistema colonial “limitado e desigual”, que em 1973 abrangia apenas 608 mil alunos e 17.978 professores. No ano da independência, 85 por cento da população era analfabeta.
“Essa pesada herança dos 500 anos de colonização impunha uma revolução educativa”, observou o Presidente.
Cinco décadas depois, o quadro é outro: a taxa de analfabetismo reduziu-se para 24 por cento, com 9,6 milhões de alunos matriculados e 208.488 professores para o ano lectivo de 2025/2026.
Para enfrentar a pressão demográfica e o défice de salas de aula, estão a ser investidos 229 milhões de dólares apenas nas províncias de Luanda e Icolo e Bengo, anunciou João Lourenço.
Outra novidade é o Programa Nacional de Alimentação Escolar, que beneficiará mais de cinco milhões de alunos já neste ano lectivo.
O Presidente não deixou de comparar o passado e o presente também no ensino superior. Em 1974, havia apenas 4.776 estudantes universitários e uma única instituição de ensino superior.
Hoje, o país conta com 330 mil estudantes e 106 universidades, 31 das quais públicas, espalhadas por 19 das 21 províncias.
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