Lutukuta sem resposta sobre atraso na vacinação contra o cancro do colo do útero e paradeiro de mais de 1 milhão de doses
O Ministério da Saúde havia anunciado, em Setembro do ano passado, a chegada de 1,4 milhões de doses da vacina contra o cancro do colo do útero, destinadas a meninas entre os nove e os 12 anos, prometendo arrancar, em novembro do mesmo ano, uma campanha massiva de imunização. No entanto, a concretização desta iniciativa continua envolta de incertezas, sobretudo porque a mesma tutela garantiu que a vacinação já seria uma realidade no país.

Registro autoral da fotografia
A ministra da Saúde, Sílvia Lutukuta, afirmou, na altura da recepção, que aquele seria o primeiro lote de um total de 2,2 milhões de doses que Angola esperava receber e assegurou que, em colaboração com o Ministério da Educação, a campanha abrangeria mais de 1.500 escolas, além de crianças fora do sistema de ensino. Contudo, especialistas e activistas da saúde pública, consultadas pelo PONTUAL, questionam por que razão, largos meses após o primeiro anúncio oficial, a vacinação ainda não saiu do papel.

A FALTA DE TRANSPARÊNCIA EM RELAÇÃO AO ARMAZENAMENTO E DISTRIBUIÇÃO DAS DOSES LEVANTA SUSPEITAS
Sectores críticos da sociedade interrogam-se sobre se todas as vacinas anunciadas estão, de facto, disponíveis ou se parte delas já pode ter sido desviada. Fontes próximas da logística de imunização indicam que há dificuldades na rastreabilidade das doses e temem que uma parte possa ter sido canalizada para fins obscuros.
Dados do Instituto Angolano de Controlo do Cancro revela que, só em 2022, foram tratados 915 casos de cancro do colo do útero no país, um número que poderá ser ainda maior devido às limitações de diagnóstico. Ainda assim, a campanha segue sem cronograma detalhado e com uma comunicação pouco clara sobre as estratégias logísticas para garantir que todas as meninas elegíveis recebam a vacina.

Pais e encarregados de educação continuam continuam a “quem da questão” relativamente a data definitiva para o arranque da vacinação, o que aumenta o ceticismo em relação à sua efetivação.
No entanto, directores de instituições de ensino, ouvidos pela nossa redacção, admitem que ainda não receberam instruções concretas sobre como será feita a administração das doses.
PONTUAL, fonte credível de informação.
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