MILHÕES ROUBADOS E OBRAS FANTASMAS: O império corrupto de Zua no Quimbele
O administrador municipal de Quimbele, Pedro Cogi Zua, está a ser acusado de liderar uma rede de corrupção, nepotismo e desvio de verbas públicas, comprometendo gravemente o desenvolvimento da região e os interesses da população local.

Registro autoral da fotografia
O município de Quimbele, na província do Uíge, está a viver uma das mais graves crises de gestão pública da sua história. As acusações contra o administrador municipal, Pedro Cogi Zua, vão desde nepotismo descarado a esquemas de corrupção que favorecem familiares e amigos próximos.
Desde a sua nomeação em 2021, Pedro Cogi Zua compôs a sua equipa de trabalho exclusivamente com membros da sua família, ocupando posições-chave como Assessor para a Área Técnica, Assessor para a Área Social, Chefe de Gabinete, Adjunto do Gabinete do Administrador, Secretária, Motorista e Ordenança. Estas nomeações familiares foram posteriormente confirmadas através de concursos públicos, permitindo a perpetuação desta rede de nepotismo.
Os familiares do administrador não só ocupam cargos públicos, como também detêm empresas que são sistematicamente favorecidas em concursos públicos, especialmente no âmbito do programa de combate à fome e à pobreza. As obras de construção e reabilitação de infraestruturas essenciais, como pontes e escolas, têm sido atribuídas a estas empresas, resultando em trabalhos de qualidade duvidosa e em desvio de milhões de Kwanzas dos cofres públicos.
As residências protocolares e o palácio municipal foram transformados em moradias para acolher a vasta família do Sr. Zua, que beneficia não só de salários públicos, mas também de acomodações pagas pelo Estado.
No sector da saúde, a situação não é menos grave. O hospital municipal de Quimbele vive um clima de crispação entre o director geral e a dupla Zua & Cunjika, devido à exclusão das empresas locais, geridas por residentes de Quimbele, dos concursos públicos para prestação de serviços. Estas empresas, que reúnem melhores condições e oferecem vantagens, são preteridas em favor de empresas externas ligadas aos interesses pessoais do administrador.
A qualidade dos serviços prestados no hospital tem-se deteriorado gravemente, com salários baixos e atrasados para o pessoal de limpeza e segurança, enquanto as empresas privilegiadas pelo Sr. Zua recebem milhões do Estado mensalmente.
O administrador Zua, juntamente com o director administrativo do hospital, é acusado de desviar verbas do Plano Local de Apoio à Agricultura Familiar (PLAAF) desde janeiro de 2023. Estas verbas, destinadas a apoiar os agricultores locais, têm um destino desconhecido, enquanto a pobreza e a miséria se agravam no município.
A gestão de Pedro Cogi Zua tem sido marcada pela exoneração de quadros seniores naturais de Quimbele, substituídos por pessoas de sua confiança ou familiares, como forma de eliminar qualquer resistência aos seus esquemas corruptos.
O governador da província do Uíge tem sido questionado sobre o conhecimento destas injustiças e crimes cometidos pelo administrador de Quimbele. A população local clama por justiça e uma intervenção urgente para resgatar o município das mãos destes malfeitores.
A situação desoladora de Quimbele, comparada ironicamente a um cenário de guerra, exige uma resposta firme e imediata das autoridades competentes para pôr fim a este ciclo de corrupção e nepotismo que tem prejudicado severamente o desenvolvimento e o bem-estar da população local.
PONTUAL, fonte credível de informação.
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