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Nova vaga de ataques em Cabo Delgado obriga mais de 21 mil pessoas a abandonar as suas casas

A violência armada voltou a provocar um êxodo massivo no norte de Moçambique. Mais de 21 mil pessoas abandonaram as suas casas no distrito de Ancuabe, província de Cabo Delgado, devido a uma nova vaga de ataques atribuídos a grupos terroristas.

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Dados divulgados pela Organização Internacional para as Migrações (OIM) indicam que, entre 1 de Maio e 10 de Junho, os confrontos e incursões armadas obrigaram 21.658 pessoas a procurar refúgio em aldeias seguras, centros de acolhimento e distritos vizinhos, nomeadamente Montepuez e Chiúre. O número representa um agravamento contínuo da crise, depois de os registos apontarem para 13.409 deslocados até 12 de Maio e 19.325 até 3 de Junho.

Segundo o relatório, os maiores movimentos populacionais concentraram-se nas zonas de Milamba Expansão, Nanjua A, Nanjua B e Meza-Sede, que acolheram mais de 10 mil deslocados provenientes de localidades como Nacoja, Namacuile, Minheuene, Nanjua e Meza. No total, a vaga de deslocações afectou cerca de 7.115 famílias.

Entre os afectados encontram-se 10.560 crianças, incluindo 12 menores desacompanhados, além de 6.423 mulheres, das quais 196 estão grávidas. O levantamento contabiliza ainda 109 pessoas com deficiência e 492 idosos com mais de 60 anos, grupos particularmente vulneráveis num contexto de emergência humanitária.

A OIM alerta para o agravamento dos riscos associados à deslocação forçada, destacando preocupações relacionadas com a separação familiar, violência baseada no género, perda de documentação pessoal e impactos psicológicos nas populações afectadas. A organização continua a acompanhar a evolução da situação numa das regiões mais instáveis de Moçambique.