OMATAPALO conquista certificação ambiental enquanto acumula denúncias de obras inacabadas maltrato a funcionários
Empresa angolana de construção celebra certiifcação ISO 14001, mas cidadãos questiona práticas empresariais e histórico de abandono de obras públicas

Registro autoral da fotografia
OMATAPALO-Engenharia e Construção, S.A. acaba de conquistar a certificação ISO 14001, um reconhecimento internacional de boas práticas ambientais, mas o feito é ofuscado por acusações de corrupção, abandono de obras e má gestão em projectos públicos. Apesar da recente auditagem conduzida pela Entidade Internacional de Certificação (eIC) nas operações da empresa em várias províncias, incluindo Luanda, Huambo, Lubango e Namibe, trabalhadores e cidadãos levantam dúvidas quanto ao real compromisso da empresa com a sustentabilidade e a qualidade das suas construções.
Entre as várias denúncias, destaca-se o caso polémico no município do Tchitato, na Lunda Norte, onde a OMATAPALO é acusada de abandonar o estancamento de ravinas no bairro Acamamento, um projecto iniciado há mais de cinco anos, sem conclusão à vista, mesmo após o investimento de milhares de dólares, conforme havia noticiado o site de notícias O Ladrão. Este não é um caso isolado. A empresa é também apontada como responsável pela paralisação de outras obras, como a instalação de separadores de betão e malhas de ferro na estrada de Catete e a sinalização e iluminação da Avenida Fidel Castro, conhecida como Via Expressa.
Apesar deste histórico, o governo angolano recentemente adjudicou à OMATAPALO a reabilitação de mais de 70 quilómetros da Estrada Nacional 250, entre Cunje, Catabola e Camacupa, um projecto com duração prevista de dois anos e grande investimento de recursos. A adjudicação ocorreu no Palácio Presidencial durante a visita oficial do Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, gerando revolta entre especialistas do sector e a sociedade civil, que se questionam sobre os critérios de selecção das empresas para empreitadas tão cruciais para o desenvolvimento nacional.
O porta-voz do grupo OMATAPALO, Edmar Manuel, citado pelo Jornal Hora H, enalteceu a conquista da ISO 14001, afirmando que “este processo de certificação é um marco importante”, e destacando o compromisso da empresa com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Contudo, críticos consideram este discurso contraditório, visto que a OMATAPALO enfrenta críticas pesadas quanto à sua responsabilidade social e ambiental em projectos já abandonados, deixando comunidades expostas e sem os benefícios prometidos.
Um outro assunto, que a redação da PONTUAL trará aos leitores nas próximas horas, tem que ver comas desmedidas denúncias e de actos desumanos feitas pelos trabalhadores da referida empresa.
O público aguarda com cepticismo a evolução destes novos projectos, questionando se a OMATAPALO dará prioridade ao cumprimento das suas responsabilidades com a mesma determinação com que persegue certificações internacionais. A controvérsia em torno da empresa reforça a desconfiança dos cidadãos quanto à transparência e ética na gestão de obras públicas em Angola, colocando em evidência a necessidade de fiscalização rigorosa para garantir que investimentos do Estado não sejam novamente desperdiçados.
PONTUAL, fonte credível de informação.
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