Angola encaixa 200 milhões de dólares por mês graças a acordo com a China
O Orçamento Geral do Estado (OGE) angolano recebe mensalmente um reforço de 200 milhões de dólares, fruto do acordo renegociado com a China sobre o pagamento da dívida, revelou o ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano.

Registro autoral da fotografia
A renegociação, firmada em Março do ano passado durante a visita do Presidente João Lourenço a Pequim, não alterou o calendário do pagamento da dívida de 17 mil milhões de dólares, mas permitiu reduzir as prestações mensais, antes destinadas a uma reserva de garantia. O resultado: um alívio significativo para os cofres do Estado e maior folga na tesouraria nacional.
“Passámos a ter saldos livres de 200 milhões de dólares por mês. É isso que nos tem permitido cumprir o serviço da dívida com segurança e, ao mesmo tempo, garantir alguma disponibilidade de moeda para o sistema financeiro”, declarou o ministro, durante a II edição do “Conversas Economia 100 Makas”, um evento que debateu o futuro económico do país.
Impacto imediato: 600 milhões de dólares em um só mês
O impacto da renegociação foi imediato. No mês seguinte ao acordo, Angola encaixou 600 milhões de dólares, valor que permitiu honrar uma dívida externa na mesma magnitude.
“Foi pegar os 600 milhões e limpar”, frisou Massano, sublinhando que esta margem financeira tem sido fundamental para equilibrar as contas públicas e garantir investimentos prioritários.
O governante destacou que o país precisa de maior espaço orçamental para utilizar linhas de financiamento internacionais já disponíveis, mas que ainda não foram totalmente aproveitadas.
“Temos financiamento para projectos estruturantes, mas falta espaço no orçamento para concretizar essa despesa. Se não utilizarmos essas linhas, acabamos por pagar taxas e comissões sem tirar proveito dos recursos disponíveis”, explicou.
Fim dos subsídios aos combustíveis financia grandes obras
O ministro voltou a defender a retirada gradual dos subsídios aos combustíveis, energia e água, argumentando que os valores poupados estão a ser redireccionados para investimentos críticos.
“Neste momento, há mais de 1400 obras públicas em curso, muitas delas de grande impacto, nas áreas de água, energia, saúde e educação. O montante alocado a essas infraestruturas equivale ao que estava previsto no OGE de 2025 para subsidiar os combustíveis”, destacou.
Apesar dos avanços, Massano reconhece que há projectos críticos sem financiamento garantido, alertando que o verdadeiro desafio está na captação de recursos para despesas que não estão associadas a financiamentos externos.
“Temos uma solução para os 1400 projectos já aprovados, mas ainda há outros que ficaram de fora e que são essenciais. Precisamos de continuar à procura de soluções para garantir a sua execução”, concluiu.
C/Lusa
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